• Vivian Laube

Vamos Aprender a Conversar?


E se a gente conhecesse algumas técnicas que nos ajudassem a conversar com as pessoas, principalmente aquelas com as quais temos mais dificuldades de falar?


E se a gente aprendesse que é possível conviver com pessoas de modo harmônico, mesmo que elas tenham valores, crenças e gostos completamente diferentes dos nossos?​


Provavelmente o mundo seria um lugar com menos conflitos e todos seriam bem mais felizes.

E se eu disser que isso é possível?


A comunicação não violenta nos traz esta possibilidade, na medida em que nos apresenta os passos que devemos seguir para construirmos um diálogo mais apreciativo, desenvolvendo conexão com o outro, reconhecendo que as suas necessidades são as mesmas que as minhas.


Através da comunicação não-violenta aprendemos a estabelecer relações de parceria e cooperação, usando especialmente da compaixão, que acontece naturalmente quando passamos a observar o fato, sem julgamento.


No nosso dia a dia, observamos diversas situações em que a violência está presente, muitas vezes disfarçada, dissimulada, mas nem por isso, menos agressiva.


A necessidade de ter razão, de acreditar que sua opinião é a correta, que o outro é um imbecil porque não pensa igual, é corrente em todos os ambientes onde existam relações interpessoais.


Quando digo a um filho que ele não arruma o quarto e por conta disso não servirá para nada na vida, estou atestando que ele é um incapaz. Quando reclamo a um colaborador que ele não executou a tarefa como eu pedi, e faço isso na frente de outras pessoas causando a ele um imenso constrangimento, estou atestando que ele é um incompetente. Existem muitas formas de sermos violentos, sem necessariamente agredirmos o outro fisicamente.


“A palavra é o primeiro ato concreto de violência. É a violência se materializando, tomando forma, crescendo”, diz David Coimbra.


Isso nasce do nosso hábito de julgar o outro, sem analisar o fato em si, sem observar quais necessidades esta pessoa tem, que certamente são muito parecidas com as nossas, sem perceber quais sentimentos a movem naquele momento, para que tenha determinadas atitudes.


A competência emocional é uma das mais valorizadas hoje em dia, no ambiente profissional. Ela deveria fazer parte da formação de todos profissionais e seres humanos. Afinal, quem nos ensina a conversar? Quem nos ensina a resolver conflitos?


Somente através do autoconhecimento desenvolvemos a habilidade de compreender nossas emoções e aprendemos a lidar com elas de um modo mais “civilizado”, que não cause tantos danos aos outros, e a nós mesmos.


O julgamento é inerente ao ser humano, mas o que fazer com ele é responsabilidade de cada um. Como eu me sinto com o que o outro diz ou faz para mim, é uma escolha totalmente minha, e tem base em quanto eu sei dos meus sentimentos e necessidades, e do quanto sou capaz de formular pedidos que cuidem de mim, respeitando o outro.


Esta é a base da comunicação não violenta – CNV, ou comunicação empática, desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, nos anos 60, tão necessária nos dias de hoje.


Vivian Laube

Consultora, palestrante e facilitadora.

Diretora da LF Comunicação Integrada.

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