• Vivian Laube

O papel do diretor de escola é complexo, desafiador e gratificante

Dia 12 de novembro – Dia do Diretor de Escola


Este é um momento de CELEBRAR!

Celebrar as conquistas realizadas até aqui. Celebrar por ter superado desafios. Celebrar pelo conhecimento adquirido ao longo desta jornada totalmente inusitada, diante de uma pandemia. Celebrar a profissão, os colegas que me apoiam, o trabalho que realizo, a instituição que me acolhe.


Esta é uma profissão, por si só, repleta de desafios.

Liderar os outros é difícil. Ser líder de adultos, crianças, e de uma comunidade escolar, é ainda mais difícil.

O papel de um diretor é complexo, desafiador, gratificante e solitário, tudo ao mesmo tempo.


Por isso, algumas dicas podem contribuir para viver este papel com mais leveza.


Uma delas é praticar a VULNERABILIDADE. Uma maneira de mostrar às pessoas o quanto tu te importas com elas é contar a tua história, falar dos teus valores, de qual fonte tu bebes quando tens determinada opinião. Porque tu tomaste aquela decisão, qual a tua intenção.

Contar a tua história te aproxima das pessoas porque elas percebem a tua humanidade. E não tem nada que gere mais conexão do que as nossas imperfeições. Quando nos despimos de armaduras e máscaras, nós chegamos mais próximo da pessoa que somos de verdade. E isso contribui para que o outro também mostre suas imperfeições, dificuldades, valores.


Outra dica é tornar-se AUTOCONSCIENTE. Quando me falta autoconhecimento como líder e quando não estou conectada com as intenções que motivam meus pensamentos, meus sentimentos e minhas ações, fica muito difícil para eu estabelecer um nível de diálogo que o outro compreenda.

Aprender a reconhecer como me sinto diante das situações é o que impede de eu agir sem pensar. E consiga por vezes controlar o lobo que nasce em mim quando algo não acontece como eu quero ou espero.

Abrir espaço para receber feedbacks verdadeiros, sobre minha liderança, contribui muito para eu me tornar um líder mais conectado com a minha equipe, meus alunos e a comunidade em geral. Para isso, preciso desenvolver uma habilidade muito importante que é a ESCUTA.


Uma boa escuta requer se desprender do que eu penso, de críticas, de crenças, de rótulos e julgamentos. Uma boa escuta requer HUMILDADE. A humildade de dizer “sei que nada sei” – Sócrates.

Quando eu saio do lugar de certeza, de ter resposta para tudo, de interromper a fala do outro para dizer o que penso, de dar opiniões sem deixar o outro terminar seu raciocínio, sua queixa, sua sugestão, de contar ao outro uma história pior do que a dele para ele se sentir aliviado na sua dor – o que não acontece, ou ainda, de minimizar o sofrimento dele, dizendo que não é nada e vai passar, eu crio uma nova possibilidade de conversa. Todas estas manifestações nossas, muito naturais, são na verdade bloqueios de escuta.

Talvez o grande papel do diretor seja o de um excelente ESCUTADOR e um ótimo PERGUNTADOR.

Perguntas significativas nos levam a caminhos que desenvolvem protagonistas, não seres obedientes. Gera mais colaboração, cooperação e pertencimento.


Para que o outro se sinta escutado, é fundamental não somente escutá-lo para compreender e não para responder, mas também, para olhar além da fala. Para entender de onde vem aquela queixa, aquela frustração, aquela ideia, aquela raiva. O que as pessoas expressam são somente necessidades não atendidas. Mas como elas não foram ensinadas a verbalizar sentimentos e necessidades, cabe a nós fazermos esta leitura. E podemos contribuir muito para termos conversas melhores se entendermos que a expressão do outro é tão somente o modo possível para ele de dar conta daquelas necessidades não atendidas – reconhecimento, valorização, atenção, ansiedade, medo...


Antes de seguir adiante numa conversa difícil, procure escutar com atenção, oferecer empatia e buscar compreender o que tem por trás da manifestação do outro, que pode vir em forma de silencio ou muita agressividade, ou palavras que não expressem corretamente o que ele quer dizer. VALIDAR os sentimentos e necessidades do outro nos coloca numa posição de poder estabelecer um diálogo assertivo, que cuide de atender o que é importante para ambos os lados, sem buscar culpados ou inocentes, quem está certo e quem está errado.


Como última dica: aprenda a APRECIAR.

Apreciar é diferente de elogiar. Apreciar o outro, a mim, às situações, requer conectar com algo mais profundo, que demonstre não somente o fato, mas o que sentimos, e qual contribuição aquilo que aconteceu trouxe para minha vida. Posso apreciar um aluno dizendo: percebi teu gesto de afeto pelo colega ao buscar um copo de água para ele. Isso me deixou emocionada porque gestos de gentileza com o outro são cada vez mais raros. Isso é bem diferente do que não dizer nada, só pensar. Ou dizer: que legal que tu buscaste um copo de água para teu colega.


Apreciar traz clareza ao outro sobre o que exatamente ele fez que eu gostei, e o porquê. E isso é que vai incentivá-lo para seguir fazendo. Posso apreciar uma mãe que chega aflita na escola para resolver alguma questão do filho, manifestando a ela que percebo a preocupação e amor que ela tem por esta criança quando ela atende ao meu chamado com tanta rapidez. Posso dizer ao meu colega o quanto a paciência dele com um aluno difícil contribui para o bem estar da turma e da escola. E por aí vai.


A escuta, a empatia e a apreciação podem ser praticadas o tempo todo. E quanto mais musculadas, mais genuínas elas se tornam. O ambiente de trabalho fica mais humano e mais colaborativo, naturalmente. Mas tudo isso tem que ser de verdade, não com o objetivo de ganhar algo em troca. Esta prática, ao ser disseminada entre professores e alunos, pode transformar a escola num lugar melhor para se estar. Para todos.



Vivian Laube Mentora e Facilitadora de Comunicação Não Violenta Método – Vamos Aprender a Conversar @vivianlaubecnv 51 981260490

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