• Vivian Laube

Esta pessoa está sempre insatisfeita!

Numa palestra on-line, ao vivo, um participante me fez a seguinte pergunta: como posso aplicar a comunicação não violenta com quem está sempre insatisfeito?


Descrever a outra pessoa como “insatisfeito” é um julgamento meu sobre comportamentos que ela tem e que eu entendo como sendo insatisfação.


Neste caso, é bom lembrar que o meu julgamento é baseado nas lentes que eu uso quando vejo o mundo e as pessoas. Eles são provenientes da minha educação, cultura, experiências vividas, do meu humor. Ou seja, insatisfeito é um rótulo que eu coloco nesta pessoa, e que me impede de observar quais são os fatos, o que ela faz exatamente que me leva a interpretar como insatisfação.


O primeiro passo é descrever o que a pessoa faz para que eu a considere (opinião/avaliação/interpretação) insatisfeito. A isso chamamos de FATO. Por exemplo: eu fiz o almoço e lavei a louça, e a Maria disse que eu não ajudo em nada; atendi todas as solicitações do meu orientador do TCC, fiz todas mudanças no relatório, mas ele disse que ainda não está bom.


Quando nos referimos ao fato, não acusamos o outro, não o rotulamos. Isso traz clareza e qualidade para a nossa comunicação.


O segundo passo é oferecer empatia e procurar entender quais necessidades esta pessoa pode estar atendendo quando apresenta determinados comportamentos que eu interpreto como insatisfação. Por exemplo, no caso da Maria, as necessidades poderiam ser de apoio, parceria, igualdade, companheirismo, colaboração. No caso do orientador do TCC, as necessidades poderiam ser eficácia, crescimento, abundância, perfeição, controle, poder, reconhecimento.

O terceiro passo é se perguntar: por que este comportamento do outro me incomoda tanto? O que ele faz que estimula em mim um sentimento de desconforto, irritação, cansaço, insegurança, medo, raiva? Quais necessidades minhas não são atendidas quando ele age deste modo? Poderiam ser de paz, tranquilidade, sossego, escolha, liberdade, reconhecimento, cuidado, amor, valorização?

O quarto passo é fazer uma escolha: o que eu decido fazer com consciência, a partir destas observações? Quando entendemos que o que o outro faz desperta em mim sentimentos, que são ocasionados pelas minhas necessidades atendidas ou não atendidas, eu começo a trilhar um caminho diferente na percepção do meu comportamento e no do outro. E quando isso acontece, tenho mais consciência para avaliar o que meus pensamentos estão me contanto, qual é o fato, de onde vem o que eu sinto e o que pode ser que esteja acontecendo com a outra pessoa neste momento para ela estar tendo este tipo de atitude.


Tudo isso me apoia a fazer escolhas conscientes de como conversar com o outro, oferecendo empatia ou tendo uma fala autêntica.

A Comunicação Não Violenta nos mostra todo este caminho. Vamos Aprender a Conversar? Vivian Laube Facilitadora de Comunicação Não Violenta Método – Vamos Aprender a Conversar @vivianlaubecnv 51 981260490

Joshua Rawson-Harris


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