• Vivian Laube

Vamos conversar sobre autoempatia e autocompaixão?


Quando pensei em fazer uma palestra especial para o mês da mulher, decidi que não gostaria de falar de temas que ressaltassem o que temos de bom, porque isso já sabemos, mas sim, o que fazer com aquilo que não é tão bom assim e que precisamos acolher e ressignificar.

Venho estudando e falando sobre comunicação não violenta, empatia, compaixão, e cada vez mais percebo a importância de estarmos bem conosco, para podermos nos relacionar bem com o outro. Para que isso aconteça, precisamos prestar atenção no que de fato nos acontece, como nos sentimos a respeito disso e a partir disso criarmos conexões verdadeiras e significativas. Entretanto, muitas vezes não damos conta de tanta pressão, tantas demandas, e a nossa auto-exigência grita nos cobrando ainda mais. Por isso, senti necessidade de falar sobre auto-empatia e autocompaixão. Talvez porque eu também precise aprender sobre isso.

Entendemos por empatia a capacidade para sentir o que sentiria outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Carl Rogers diz que “ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”. Já Marshall Rosenberg diz que "empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”.


Ora, se temos esta capacidade, enquanto seres humanos, de estarmos atentos ao outro e até nos colocarmos no lugar dele, seja em momentos felizes ou tristes, por que não fazemos isso também conosco?


Ter autoempatia nada mais é do que ser o seu melhor amigo, ter atenção plena para o que estou sentindo e um olhar mais profundo para buscar entender que necessidade minha não está sendo atendida para que eu me sinta deste modo.

Mas aqui entra uma questão muito importante: separar o fato do julgamento. Quando algo nos acontece, nossa tendência natural é criarmos uma história nossa, contada a partir do nosso julgamento - do outro e de nós mesmos. Nesta história podemos nos ver como vítimas ou com terríveis causadores deste mal.

 

Julgamentos são pensamentos, não são fatos.


Quando julgo a mim ou ao outro, eu desconecto do que de fato acontece, e isso impede que eu sinta empatia, por mim, ou por ele.

Gosto muito desta fala do psicólogo americano, Marshall Rosenberg, criador da Comunicação Não Violenta:

“Um importante aspecto da autocompaixão é ser capaz de, com empatia, abordar as duas partes de nós mesmos: a parte que se arrepende de uma ação passada e o eu que cometeu a ação em primeiro lugar.”


Não podemos fazer de conta que não erramos, nem nos esconder, nem fingir que não é conosco. Dentro de nós tem estes dois “eus” e pode ser que um deles, eventualmente, faça coisas das quais eu me envergonhe, ou simplesmente não goste. Entretanto, devo acolher este eu, me responsabilizar por ele e buscar entender, em profundidade, o que o leva a fazer estas coisas que não são tão legais. Posso sentir compaixão por ele, assim como tenho por uma amiga que eu gosto muito, apesar de não concordar o tempo todo com ela.


Compaixão é um sentimento típico dos seres humanos e que se caracteriza pela piedade e empatia em relação à tristeza alheia. A compaixão desperta a vontade de ajudar o próximo a superar os seus problemas, consolando e dando suporte emocional.


A autocompaixão e este olhar amoroso que devemos ter em relação nós mesmos. Não se trata de autopiedade, vitimização. Nem de autogratificação, buscando compensações que me deixem aliviado ou feliz. Nem tampouco de encontrar desculpas para o que fiz e fortalecer meu ego. Se trata somente de acolher o que sinto, com respeito e cuidado. De me abraçar. De entender a humanidade que existe em cada atitude nossa e do outro, e que todos erramos. Que o sofrimento existe para todos, que todos nós temos dias ruins.

Percebo que a carga sobre as mulheres já está grande demais para ainda cobrarmos que sejam poderosas, lindas, malhadas e felizes. Que precisamos falar mais sobre a vontade que muitas vezes temos de mostrar nossas vulnerabilidades, e ser quem realmente somos. Dizem que o homem mata um leão por dia, mas a mulher mata, corta, tempera, serve e ainda lava a louça! Precisamos falar muito ainda sobre direitos iguais, mas também, do que fazer quando erramos, quando perdemos a força, quando queremos um colo para chorar.

O que eu desejo para todas nós, neste mês da mulher, é que tenhamos um olhar mais compassivo e amoroso para a mulher que nós escolhemos ser.


Vivian Laube

LF Comunicação Integrada


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